sábado, 24 de janeiro de 2015

Pós parto

O pós parto é sempre um lugar delicado. Eu ficava louca que durante a gravidez todos me diziam: "Aproveita para dormir, porque depois..." e tinham razão. Mesmo estando super mega feliz, o cansaço vem por vezes com muita força. O meu filho é um bebe muito calminho e tranquilo, mas mesmo assim eu fiquei bem cansada.

Uma coisa que me ajudou é que eu sai da maternidade 1 dia depois e fortalecida. O parto, do jeito que foi, fez-me sentir forte, guerreira, pronta para matar um leão, afinal eu sobrevivera kkkk

Mesmo assim as primeiras semanas eu fiquei muito sensível. Não queria sair à rua e achava tudo uma ameaça, de certa forma isso nos ajuda a proteger os pequenos. Ainda hoje vi uma senhora a passear no parque com o seu recém nascido, no meio de uma confusão de gente, impávida e serena, a rir junto de amigas. Não sei como as pessoas reagem de formas tão diferentes. É um exemplo como cada um é de um jeito.

A minha mãe teve que ir embora 5 dias depois e eu chorei bastante. A tia do meu esposo veio nesse dia para eu tomar um banho e eu chorava no banheiro. Parece que o Vicente sentiu e chorou também lá no quarto.
Eu chorei horrores nos primeiros 2 meses. Chorava, mas não era um choro triste, era um choro de cansaço, de sensibilidade, de amor à vida, de medo de morrer. Chorava como forma de dissolver tudo o que passara toda a gravidez. E fez-me muito bem.

A Helo (a minha doula) também nos aconselhou a contratar uma pessoa 3 vezes por semana, para o meu marido não ficar exclusivamente na produção da casa. Só contratamos 2 vezes (e mesmo assim o orçamento é alto), mas ajudou imenso. Os meus sogros vieram direto no primeiro mês e arrumaram, cozinharam e tudo o que precisávamos. Além disso, o meu marido desde o inicio tomou frente em ajudar a trocar fralda, dar banho, enfim, o que ele podia fazer. Eu não fiz nada nos primeiros 2 meses e tenho a certeza que isso foi indispensável para a minha recuperação emocional e para dar toda a atenção possível ao meu nenem sem pirar.

E depois dos ditos 40 dias de pós parto, teve um dia, antes de viajar de férias que eu achei que ia pirar. Fiquei uns dias sem sair de casa, a ver noticias de catástrofe direto (é o que mais tem na tv), 2 dias sozinha, meu marido tinha viajado e comecei a pirar. Que íamos morrer, que o mundo ia acabar...até parece idiota agora, mas como num pesadelo, pareceu bem real.
Liguei para a Helo, conversei com amigas e fui na psicóloga.  E depois as coisas foram entrando na normalidade. Tem certas coisas que eu não faço, porque não me fazem bem. Uma delas é ficar em casa direto, sozinha e ver noticias ruins.

Por outro lado, existem coisas que me fazem bem. Conhecer casais que estejam a viver o mesmo que nós, partilhar experiências com outras mães e pais, procurar família. Este é um belo momento para isso.

Em relação ás transformações corporais, devemos dar tempo ao tempo. 2 dias depois do parto estava a andar, quase sem dor. Mas ainda me sentia pesada e pouco ágil. Parecia que o corpo não era meu, fiquei bastante desajeitada por um bom tempo. Só agora 4 meses depois é que começo a sentir o corpo a encontrar a sua forma. Engordei bastante e estou a perder bem devagar. Tenho tido cuidado com a alimentação, não pulo refeições e ás vezes um doce para alegrar a vida. Na época natalina, em casa dos meus pais comi bastante, mas tentei não exagerar em todas as refeições. Ainda estou com mais 9 kilos do que antes, mas a prioridade é ficar saudável. Não fico feliz em estar gorducha, mas sei que é só por um tempo e realmente agora há outras prioridades e alegrias na minha vida. Não noto diferença nenhuma por ter tido parto normal e está tudo como devia estar, para não ser mais explícita kk

De toda a forma, é um momento diferente, e que bom. Ás vezes é necessário uma nova maneira de enxergar o mundo, novas formas de pensar e agir para evoluirmos. Apesar das dificuldades que possamos encontrar, o pós parto é uma ótima oportunidade para isso.

Sem comentários:

Enviar um comentário